Bicarbonato não salvou Israel da pandemia

 Bicarbonato não salvou Israel da pandemia

Em vídeo, pastor afirma que gargarejo de bicarbonato, limão e água quente é eficaz para conter o novo coronavírus

O Nujoc Checagem recebeu denúncia de um vídeo pelo aplicativo Eu Fiscalizo, da FioCruz. Nele, o pastor Valdeir de Oliveira, da Assembleia de Deus de Praia Grande, afirma que gargarejar uma mistura de bicarbonato, limão e água quente tem o poder de eliminar o novo coronavírus do organismo. “Ou você pode usar também o vinagre de maçã”, ensina ele. Ele recomenda fazer gargarejo todos os dias “antes de dormir”. Com isso, a pessoa evitaria o coronavírus, pois este “demora quatro dias alojado na sua garganta”.

A receita: não procede. Imagem: Captura de tela/WhatsApp

O pastor também afirma que a receita garantiu a Israel a vitória no combate à pandemia. “Os judeus, eles mandaram essa receita para todo cidadão de Israel”, garante o pastor Valdeir. Ao final, ele pede que as pessoas ajudem a divulgar a boa-nova: “Eu quero que o Brasil saiba disso”.

A informação é falsa. O pastor ressuscitou uma receita fake que já foi verificada logo no início da pandemia por diversas equipes de checagem, como você pode verificar aqui e aqui. Também o Nujoc Checagem já descartou como falsas receitas semelhantes, como a de água e limão, aqui, a de chá de boldo, aqui, e a de água tônica, aqui.

Não há qualquer evidência que comprove a eficácia dessas receitas e de outras de mesmo teor. Também não é verdade que Israel tenha adotado a receita do bicarbonato e que esta tenha barrado a Covid-19 naquele país. Não há qualquer comprovação disso. As informações mais recentes dão conta de que Israel, que estava ensaiando a flexibilização da quarentena, voltou atrás, após aumento no número de casos. Leia mais aqui.

Mais água quente – Na mesma linha de notícias falsas, o aplicativo Eu Fiscalizo enviou-nos para verificação outras mensagens que saíram em redes sociais. A água quente ou morna está presente também nessas outras postagens: a temperatura elevada teria o poder de matar o vírus. A informação não procede. Embora a hidratação seja sempre recomendada, não há qualquer poder de eliminação do vírus por ingestão ou gargarejo de água quente. Gargarejar água quente é ineficaz e pode ser danoso, a depender do excesso.

Água morna, de novo: ineficaz. Imagem: Reprodução/WhatsApp

Até o momento não há remédio nem vacina de comprovada eficácia contra o novo coronavírus. Por isso, os especialistas e a OMS mantêm as recomendações de higienização das mãos, uso de máscara e isolamento social como medidas preventivas. Aos primeiros sintomas, a pessoa deve procurar orientação médica.

Falsa autoria: lobo em pele de cordeiro. Imagem: Reprodução/WhatsApp

Autoria – Um dos posts indica a FioCruz como fonte das informações. A FioCruz não endossa esse tipo de informação. Pelo contrário, a fundação tem combatido a disseminação de fake news, e é referência nos estudos científicos no Brasil e no mundo.

Atribuir falsa identidade, crime previsto no art. 307 do Código Penal, é uma estratégia típica dos disseminadores de fake news. Por meio dessa manobra, eles buscam reforçar a veracidade da informação com base na autoridade da fonte. Na verificação de ontem do Nujoc Checagem, por exemplo, outra notícia falsa usou o mesmo recurso de atribuir declarações a uma fonte importante. Você pode ler a matéria aqui.

No momento em que o mundo começa a relaxar as regras de isolamento, os cientistas alertam que é fundamental reforçar as medidas de prevenção no Brasil. Os números do país seguem crescendo, indicando que o pico da curva ainda não chegou.

Há ainda o perigo de uma segunda onda de contágio, como já vem sendo observado em alguns países que aderiram à flexibilização, Israel entre eles. Contra o risco da desinfopandemia, a pandemia de desinformação, também é preciso redobrar os cuidados.

Equipe NUJOC

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