Bolsonaro “apostou” na vacina desde o início da pandemia?

 Bolsonaro “apostou” na vacina desde o início da pandemia?

O Nujoc Checagem recebeu esta semana, por meio do aplicativo Eu Fiscalizo, uma nota publicada no portal Jornal da Cidade Online no dia 19 de março, afirmando que o presidente Jair Bolsonaro apostou, investiu em vacinas contra covid-19 desde o início da pandemia, no ano passado.

A nota fala sobre o recente anúncio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de que vai entregar ao Brasil 6 milhões de doses de vacina por semana. O texto critica pessoas que vêm cobrando ações eficazes por parte do Governo Federal no combate à pandemia e diz que a vacina foi uma aposta feita por Bolsonaro há um ano.

“A torcida do vírus vai se dar mal. A mídia do ódio , que insiste em dizer que o presidente da República nunca pensou em vacina, acaba de levar o seu mais dolorido golpe. A aposta do governo deu certo. Essa aposta foi feita pelo governo há um ano, logo no início da pandemia”, diz um trecho da nota.

No dia 27 de junho de 2020 o Governo Federal realmente anunciou o acordo de cooperação firmado com o Reino Unido para a produção de vacinas, por meio da transferência de tecnologia da Universidade de Oxford e da AstraZeneca para a Fiocruz, responsável pelo desenvolvimento do imunizante no Brasil.

Acontece que, mesmo tendo firmado esse acordo, o presidente da República não realizou qualquer outra ação efetiva, tanto na aquisição de vacinas como em medidas de combate à pandemia de maneira geral.

No decorrer de 2020, Bolsonaro recusou inúmeras ofertas de vacinas, dentre elas, a Coronavac, desenvolvida no Brasil pelo Instituto Butantan e pela farmacêutica chinesa Sinovac. Esse imunizante foi rechaçado pelo presidente, e chamado de “vacina chinesa” ou “vacina do João Doria”.

Em agosto de 2020 o laboratório norte-americano Pfizer fez a primeira proposta de venda de 70 milhões de doses para o Brasil, oferta também recusada.

Além disso, Bolsonaro disse algumas vezes que não iria tomar a vacina e, em declarações desencorajadoras, chegou a insinuar que quem tomasse o imunizante poderia “virar jacaré”.

Diante disso, podemos afirmar que, embora tenha sim firmado esse acordo com a Fiocruz, não podemos dizer que Jair Bolsonaro acreditou e apostou plenamente nas vacinas contra covid-19. Suas ações demonstram o contrário.

Equipe NUJOC