Cientista da OMS descobre que o novo coronavírus teria vazado de um laboratório na China?

 Cientista da OMS descobre que o novo coronavírus teria vazado de um laboratório na China?

Doctor in ppe suit looking at blood sample in test tube sitting in equipped lab. Scientist working with various bacteria and tissue, concept of pharmaceutical research for antibiotics against covid19

O Nujoc recebeu para checagem a publicação do instagram do deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ) sobre a suposta origem da COVID-19. No post, o parlamentar conta que o cientista Peter Ben Embarek, da Organização Mundial de Saúde (OMS), estaria pressionando o Partido Comunista da China com a descoberta que o novo coronavírus teria vazado de um laboratório em Wuhan. Vale pontuar que o material foi encaminhado para verificação por meio do aplicativo Eu Fiscalizo da Fiocruz (Disponível para Android e IOS).

No instagram, o deputado Carlos Jordy trata da origem da COVID-19. Imagem: Reprodução

A publicação realizada por Carlos Jordy é falsa e inclusive desmentida com afirmações do próprio Peter Ben Embarek. Segundo O Globo, o cientista da OMS esteve em Wuhan e declarou como pouco provável que o coronavírus tenha saído de um laboratório. Ele ainda afirmou que esta tese seria um “excelente roteiro” para um filme de ficção.

Peter Embarek visitou a cidade chinesa em fevereiro de 2021. Ao lado de especialistas, a equipe esteve presente no Instituto de Virologia de Wuhan de onde, segundo o ex-presidente americano Donald Trump, o vírus teria saído, por acidente ou não.

O Instituto de Virologia de Wuhan tem, desde 2012, um laboratório de alta segurança para patógenos muito perigosos, que abriga cepas de vírus como o do Ebola.

Com informações da BBC News, a equipe do Dr. Embarek acredita que o vírus provavelmente se originou em animais antes de se espalhar para os humanos, mas ainda não tem a comprovação de como aconteceu efetivamente.

O cientista disse que o trabalho para identificar as origens da Covid-19 apontou para um “reservatório natural” em morcegos, mas é improvável que isso tenha acontecido em Wuhan.

Ele disse que identificar a via animal continua sendo um “trabalho em andamento”, mas que é “mais provável” que tenha passado para humanos de uma espécie intermediária.

Os especialistas também disseram que “não havia indicação” de que o vírus estava circulando em Wuhan antes que os primeiros casos oficiais fossem registrados em dezembro de 2019.

Liang Wannian, especialista da Comissão de Saúde da China, disse que a Covid-19 poderia estar em outras regiões antes de ser detectada em Wuhan.

A equipe pediu uma investigação mais aprofundada sobre a possibilidade de transmissão da “cadeia de frio”, referindo-se ao transporte e comércio de alimentos congelados.

O Dr. Peter Daszak, membro da equipe da OMS, disse que o foco sobre onde as origens que levaram à Covid-19 podem estar associadas à região do sudeste asiático. “Fizemos muito trabalho na China e se você mapear isso começa a apontar para a fronteira e sabemos que há pouca vigilância do outro lado em toda a região do Sudeste Asiático”, disse ele a John Sudworth da BBC em Wuhan.

“A China é um lugar muito grande e o Sudeste Asiático é um lugar maior ainda. As cadeias de abastecimento para o mercado de frutos do mar de Wuhan são extensas, vindo de várias partes da China e outros países vizinhos. Para fazer um devido rastreamento há muito trabalho”, frisou Peter Daszak.

Origem da COVID-19 – De acordo com o Instituto Butantan, no final de março de 2021, a OMS divulgou um relatório de 120 páginas, desenvolvido por cientistas da China e de outras partes do mundo, que reforçou a origem natural da epidemia. A tese mais aceita diz que o vírus passou do morcego para um mamífero intermediário, e dele para o ser humano. A transmissão de um morcego diretamente para um humano também foi apontada como uma hipótese possível e provável. 

O relatório ainda afirmou que a passagem do vírus para humanos por meio de produtos alimentícios é possível, porém uma hipótese remota. Já a possibilidade de o vírus ter escapado acidentalmente do Instituto de Virologia de Wuhan foi classificada como “extremamente improvável”. De acordo com o diretor-geral da OMS, no entanto, o relatório era um começo no caminho de determinar com precisão a origem do vírus, e não um fim.     

O tema de origem da COVID-19 já foi checado aqui no Nujoc Checagem, conforme pode ver aqui.

Equipe NUJOC