Documentário Plandemic traz informações falsas sobre coronavírus

 Documentário Plandemic traz informações falsas sobre coronavírus

O vídeo foi banido das redes sociais, mas causou repercussão

A virologista americana Judy Anne Mikovits é a fonte principal de um vídeo que viralizou na internet na primeira semana de maio. Trata-se do documentário Plandemic, com cerca de meia hora de duração. No vídeo, a cientista afirma, entre outras coisas, que o coronavírus foi criado em laboratório e que o uso de máscaras favorece a propagação da Covid-19.

Mikovits no documentário Plandemic: teorias conspiratórias. Imagem: Reprodução/Internet

Todas as afirmações da cientista americana carecem de provas e o vídeo vem sendo banido das redes sociais por disseminar fake news. Facebook, Twitter e Youtube tiraram o vídeo do ar, mas ele ainda é disseminado em conversas privadas pelas redes sociais e teve mais de 4 milhões de visualizações antes de ser retirado do ar pela primeira vez.

A preocupação maior das empresas de mídia que removeram o conteúdo é que as informações endossadas pela cientista possam influenciar a percepção da população quanto às medidas de segurança adotadas por governos do mundo inteiro, como a quarentena e ouso de máscaras.

A pesquisadora tem uma trajetória controversa, como mostra o verbete dedicado a ela na Wikipédia. No vídeo, ela se diz perseguida pelos poderosos da indústria americana de medicamentos. Ela alega ter sido presa sem motivos e que suas pesquisas foram inviabilizadas pelos interesses de poderosos, como Bill Gates e o imunologista Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Imunologia e Doenças Infecciosas dos EUA.

Judy Mikovits defende o uso da hidroxicloroquina no documentário, e alguns médicos também endossam a prática no vídeo. Mas pelo menos dois grandes estudos recentes mostraram que a droga não é eficaz contra a Covid-19.

A cientista afirma que foi perseguida e presa injustamente, mas a checagem da informação mostrou que não foi bem assim. Em 2009, ela e outros pesquisadores publicaram artigo na revista Science, mas este foi posteriormente retirado da revista por suspeita de manipulação dos resultados, o que gerou a demissão de Mikovits do Instituto Whittemore Peterson. O episódio da prisão da pesquisadora em 2011 é registrado pela polícia como suspeita de que teria roubado material de pesquisa e computadores da instituição, conforme esta matéria aqui da Folha de S.Paulo.

Teorias conspiratórias – Desde que foi banida da comunidade científica, ela passou a defender teses que se enquadram nas chamadas “teorias conspiratórias”. O alvo principal de Mikovits são as vacinas. Ela sustenta a tese de que as vacinas enfraquecem o sistema imunológico e que são criadas para gerar lucro à indústria farmacêutica mundial.

A tese vem sendo abraçada há décadas por setores da opinião pública americana e, mais recentemente, brasileira. Médicos e especialistas atribuem a essa teoria infundada o crescimento recente de casos de sarampo e outras doenças consideradas erradicadas ou sob controle no Brasil.

Passeata antivacina nos EUA: a ciência em questão. Imagem: Reprodução/Youtube

Mikovits está lançando um livro com sua versão sobre a pandemia da Covid-19, onde defende as teses da criação em laboratório do coronavírus e da manipulação dos governos pela indústria farmacêutica.

O método científico ensina que para todas as teses devem existir provas. É trabalho da ciência e do jornalismo buscar as provas para além das opiniões. Se quiser o respeito da comunidade científica e da opinião pública novamente, advertem os cientistas, Judy Mikovits deve mostrar as provas que detém.

As teorias conspiratórias encontraram terreno fértil na internet e nas redes sociais, que disseminam informações sem o mínimo critério de veracidade. Em pronunciamento recente, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, sintetizou a necessidade de respeito à verdade e ao trabalho da imprensa.

Segundo Merkel, a democracia exige uma “esfera pública em que se possa argumentar e expressar diferentes opiniões, a fim de desenvolver soluções conjuntas para problemas”. Mas também “precisa de fatos e informação”, “precisa ser capaz de distinguir a verdade da mentira”.

Os cientistas e jornalistas já checaram: o documentário Plandemic pertence à categoria das mentiras e das fake news.

Equipe NUJOC

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