É falso: Governo do Maranhão constrói motéis em presídios em plena pandemia

 É falso: Governo do Maranhão constrói motéis em presídios em plena pandemia

Na verdade, são módulos íntimos, previstos na Lei de Execução Penal. A agência Lupa já verificou

A postagem da página do Facebook da deputada federal Bia Kicis (PSL) traz a seguinte mensagem: “Em plena pandemia, governo do Maranhão constrói “motéis” em presídios”. A mensagem, que tem data de 7 de fevereiro, foi encaminhada para checagem de nossa equipe pelo aplicativo Eu Fiscalizo, da Fundação Oswaldo Cruz.

O texto da mensagem postada pela deputada da base governista diz ainda que a verba destinada aos “motéis” chega a 1,3 milhão em aditivos e tem até dois meses para ficar pronta, e ressalta os números da pandemia no estado do Maranhão, governado pelo “comunista” Flávio Dino (PCdoB). A deputada menciona como fonte o que foi publicado na coluna do jornalista Cláudio Humberto. A informação sobre a construção de motéis em presídios do Maranhão é falsa.

O governo do estado do Maranhão vai construir 22 módulos íntimos em 11 presídios maranhenses, não “motéis”, como disse o jornalista Cláudio Humberto e fez eco a deputada Bia Kicis. A agência Lupa fez a checagem da informação e descartou-a como notícia falsa, nesta matéria aqui.

A checagem feita pela Agência Lupa esclarece que a Lei de Execução Penal prevê os módulos de visita íntima nos presídios – não apenas para relações sexuais, mas também para encontros com membros da família do preso. A matéria esclarece também que a verba é de origem federal e o processo para sua liberação foi iniciado em 2018, antes da pandemia do novo coronavírus. Não se trata, portanto, de uma despesa do governo do estado do Maranhão.

Postagem da deputada Bia Kicis no Facebook: um termo faz toda a diferença. Imagem: Reprodução

Conforme o defensor público Bruno Dixon de Almeida Maciel e o promotor de justiça e presidente do Conselho Penitenciário do Estado do Maranhão, Pedro Lino Silva Curvelo, em nota publicada pela Lupa, “o respeito aos direitos fundamentais dos presos e de seus familiares é fundamental para o êxito do processo de ressocialização do sentenciado, devolvendo-o como uma pessoa melhor para a sociedade”.

Aspas – A nota feita pelo jornalista Cláudio Humberto e endossada pela deputada Bia Kicis coloca o termo “motéis” entre aspas. A princípio, pode parecer um dado sem importância, mas talvez as aspas sejam o detalhe verdadeiramente preocupante da mensagem falsa. Isso porque as aspas são empregadas no jornalismo e na comunicação em geral para designar que aquela expressão foi dita por outra pessoa. Assim, além de eventualmente prejudicar aqueles a quem se referem, as aspas teriam a função de livrar da responsabilidade aqueles que as utilizam. Afinal, podem sempre alegar: “Não sou eu quem estou dizendo…”.

No caso da mensagem falsa sobre a suposta construção de motéis em presídios em plena pandemia, o termo “motel” remete aos prazeres mundanos da carne. O contraste com a situação calamitosa decorrente da crise sanitária torna a escolha do termo uma arma de efeito letal na guerra política entre apoiadores e oponentes do governo federal.

 Conforme a agência Ao Fatos, a deputada Bia Kicis é uma das que mais divulga informações falsas sobre a pandemia. A página da deputada na Wikipédia registra essa e outras controvérsias em que ela se envolveu nos últimos meses.

Equipe NUJOC