Estudo realizado com a CoronaVac em Serrana (SP) não teve eficácia?

 Estudo realizado com a CoronaVac em Serrana (SP) não teve eficácia?

O Nujoc recebeu para checagem um vídeo publicado no instagram @vacinacv19_relato com o médico Edimilson Migowski realizando uma análise do estudo promovido pelo Instituto Butantan no município de Serrana (SP). Contudo, a referida página encontra-se fora do ar e o conteúdo do vídeo foi localizado na íntegra no youtube. Confira aqui. Vale mencionar que o material foi encaminhado para verificação por meio do aplicativo Eu Fiscalizo (Disponível para Android e IOS).

Em seu canal do youtube, Edimilson Migowski ao lado do filho também médico, João Migowski, falam do estudo realizado em Serrana (SP). Imagem: Reprodução

O infectologista Edimilson Migowski que também é defensor do tratamento precoce contra a COVID-19 realiza uma série de alegações com a finalidade de colocar em dúvida o estudo desenvolvido em Serrana. No vídeo, que tem por título: “CORONAVAC DESMASCARADA EM SERRANA | CHEGA DE MENTIRAS”, o médico afirma que a população da cidade já teria anticorpos antes de receber as doses da vacina, o que explicaria o sucesso da pesquisa. Outro ponto indicado, é que quem não tinha mais anticorpos, adquiridos a partir da infecção, bastava apenas uma dose de reforço para recuperar a imunidade. Durante sua fala, o infectologista menciona a alta taxa de contaminação no Chile, país que utiliza amplamente o imunizante chinês.  

Ao final de maio, o Instituto Butantan apontou que o estudo fez os casos sintomáticos de Covid-19 despencarem 80%, as internações, 86%, e as mortes, 95% após a segunda vacinação do último grupo. Essa é a principal conclusão do Projeto S, estudo clínico de efetividade inédito no mundo realizado pelo instituto na cidade. A redução foi constatada por meio da comparação dos dados desde o início do projeto – até completar a vacinação de todos os grupos – com o restante do trimestre avaliado (fevereiro, março e abril de 2021).

Passada a etapa de conclusão da eficácia, o Projeto S segue em curso para responder outras questões, o que desmente o vídeo do infectologista que tratou a pesquisa como encerrada e dados mal avaliados. Ao final de julho, o estudo se propôs a entender o impacto da vacina no controle da pandemia de Covid-19 e da transmissão do SARS-CoV-2. No novo ciclo, o instituto vai avaliar a imunidade de longo prazo dos moradores da cidade após a vacinação com as duas doses da CoronaVac.

A nova etapa resulta em um estudo de coorte prospectivo, que foi aprovado e será acompanhado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Após as coletas em Serrana, os testes para avaliar a imunidade dos voluntários serão realizados no Laboratório Estratégico de Diagnóstico do Instituto Butantan.

O estudo tem como objetivo estimar e comparar a imunização para SARS-CoV-2 de adultos e idosos de Serrana, analisar quanto tempo dura a imunidade e avaliar a resposta imune celular. Uma das questões que a pesquisa vai levar em consideração é o processo de envelhecimento do sistema imunológico, que pode interferir na forma como o organismo combate o SARS-CoV-2 à medida que o tempo passa.

Agora ao final de agosto, o Instituto Butantan apresentou outra pesquisa reforçando mais uma vez a eficácia da vacina CoronaVac. O estudo realizado com 60,5 milhões de brasileiros vacinados entre janeiro e junho de 2021 mostrou que a CoronaVac, tem uma efetividade superior a 70% para evitar casos graves, internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e mortes causadas por Covid-19, inclusive entre idosos. O estudo, que analisou a CoronaVac e a vacina da Astrazeneca/Fiocruz, é o maior já realizado no Brasil sobre a efetividade da vacinação contra o SARS-CoV-2.

Do total de pessoas avaliadas que haviam completado o esquema vacinal com CoronaVac (ou seja, tomado as duas doses), 72,6% apresentaram menor risco de hospitalização, 74,2% menor risco de admissão em UTI e 74% menor risco de morte. Em relação às pessoas entre 60 e 89 anos, a efetividade da vacina foi ainda melhor: 84,2% contra hospitalizações, 80,8% contra internações em UTI e 76,5% contra mortes. 

O estudo foi realizado por pesquisadores das universidades federais da Bahia e de Ouro Preto, da Universidade de Brasília, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, da London School of Hygiene & Tropical Medicine e da Fundação Oswaldo Cruz Fiocruz. As conclusões foram publicadas no artigo “The effectiveness of Vaxzevria and CoronaVac vaccines: A nationwide longitudinal retrospective study of 61 million Brazilians (VigiVac-COVID19)”, na plataforma de preprints MedRxiv.

Por último sobre a alta taxa de contaminação apontada por Edimilson Migowski no Chile. A vacinação não é o único meio de conter a disseminação do vírus, é necessário combinar com o distanciamento social e o uso de máscara. Essa verificação envolvendo o Chile foi tema de outra checagem no nosso site que pode ser acessada aqui.

Equipe NUJOC