Fala de diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China coloca em dúvida eficácia de vacinas produzidas pelo país

 Fala de diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China coloca em dúvida eficácia de vacinas produzidas pelo país

Recebemos por meio de parceria com o aplicativo Eu Fiscalizo – da Fiocruz (disponível para Android e iOS), uma informação no tocante a eficácia das vacinas chinesas contra a Covid-19. Em um perfil intitulado @sugarfree_brasil, no instagram, a postagem vinha com o seguinte título: ‘China recua depois de dizer que eficácia de suas vacinas é baixa’; e como subtítulo: ‘Fala da principal autoridade de saúde diz ter sido mal interpretado pela mídia’.

Esse perfil conta com pouco mais de 400 mil seguidores, traz em sua biografia o perfil @fiscais_do_stf, onde convida as pessoas a fazerem parte do grupo que luta por mudanças na Suprema Corte Federal e apresenta, principalmente, publicações sobre política. Em tempos de pandemia, traz também publicações sobre o novo coronavírus e as vacinas contra a Covid-19, a exemplo da publicação recebida pelo Nujoc Checagem.

Com isso, a equipe do Nujoc verificou a publicação feita pelo perfil no instagram e constatou que a mesma procede, no entanto, é necessário ficar atento. O Diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China, Gao Fu, após entrevista concedida a jornalistas em evento em que participou no dia 10 de abril de 2021, afirmou que as vacinas chinesas CoronaVac e Sinopharm não têm índices de eficácia muito alta. “Agora está sob consideração formal se devemos usar vacinas diferentes de diversas linhas técnicas para o processo de imunização”, falou Gao.

Após a declaração do diretor repercutir na imprensa mundial, ele voltou atrás e em entrevista concedida ao jornal estatal chinês Global Times, no domingo, 11 de abril, Gao destacou que foi “mal interpretado” e que tudo não passou de um completo “mal-entendido”. Em sua entrevista anterior, ele teria declarado ainda que autoridades chinesas estavam considerando misturar os imunizantes desenvolvidos no país com outras vacinas para tentar oferecer uma maior proteção contra o vírus. Outra hipótese seria alterar a quantidade de doses ou o intervalo de aplicação entre elas. “As taxas de proteção de todas as vacinas no mundo às vezes são altas, e às vezes baixas. Como melhorar sua eficácia é uma questão que precisa ser considerada por cientistas de todo o mundo”, disse ele.

Segundo o jornal Valor Econômico, do grupo Globo, as declarações de Gao aumentaram as preocupações de que as vacinas desenvolvidas pela China sejam menos eficazes para prevenir a doença.

Um estudo recente feito pela fabricante SinoVac, produtora da CoronaVac e publicado na plataforma científica SSRN, demonstrou que a eficácia geral da CorononaVac é de 50,7% contra a Covid-19. A vacina é um dos imunizantes utilizados no Brasil e eventuais mudanças no regime de aplicação das doses podem ter implicações para vários países, incluindo o Brasil que está utilizando a CoronaVac, até agora, o principal imunizante disponível em território nacional.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, a fala de Gao, mesmo causando polêmica, não implica uma condenação das vacinas chinesas. Ao contrário, todas até aqui tiveram eficácia superior a 50%, percentual necessário para a utilização em campanhas de imunização e alta proteção contra casos sintomáticos de Covid-19.

Atualmente a China tem 5 vacinas aprovadas para uso geral ou emergencial, incluindo 3 que estão sendo distribuídas para outros países. O empenho para o abastecimento internacional foi visto por algumas nações como uma campanha de “diplomacia de vacinas”, e teria o objetivo de impulsionar a posição da China como contribuinte global da saúde, principalmente na Ásia, África e América do Sul.

Equipe NUJOC