Grupos antivacina seguem produzindo desinformação nas redes sociais

 Grupos antivacina seguem produzindo desinformação nas redes sociais

Não é de hoje que no Brasil uma grande quantidade de pessoas produz e compartilha conteúdos inverídicos sobre as vacinas contra a covid-19. Recentemente, a página no Instagram @medicospelavidacovid19 fez uma postagem com “orientações” para as pessoas que foram obrigadas pelas empresas onde trabalham a tomar o imunizante.

A página, que diariamente divulga conteúdos defendendo o tratamento precoce e questionando a eficácia das vacinas, orienta que, se alguém tomou o imunizante obrigado e mesmo assim contraiu a doença, deve processar a empresa em que trabalha.

Os órgãos competentes, bem como os pesquisadores empenhados no combate à covid-19, constantemente vêm ressaltando que a vacina não impede a pessoa de contrair o novo coronavírus, mas diminui drasticamente os riscos de quadros graves da doença ou evolução para morte, o que também pode variar conforme a idade, dependendo também das condições de saúde do paciente.

O Instituto Butantan, que desenvolve no Brasil a vacina Coronavac, disponibiliza em seu site oficial uma sessão específica para tirar dúvidas sobre o imunizante, e esclarece que “os imunizantes contra o novo coronavírus previnem contra quadros graves da doença e óbito, mas não impedem que o indivíduo se contamine com o vírus. Por isso, é importante continuar seguindo as medidas de segurança mesmo depois da vacinação”.

A microbiologista Natalia Pasternak, uma das referências no Brasil quando o assunto é vacina, afirmou em entrevista ao UOL que “nenhuma vacina contra covid é 100% eficaz com 0% de efeitos colaterais”, mas garantiu que a vacinação continua sendo o caminho para vencer a pandemia.

“Infelizmente é isso que as pessoas esperam, elas querem algo que seja 100% eficaz, ou seja, protege completamente. Você está vacinado, você fica de corpo fechado e, de preferência, 0% de efeitos diversos. Primeira notícia: isso não existe. Nem para vacinas, nem para medicamentos. O que existe sempre é uma redução do risco e um aumento do benefício”, declarou a cientista.

Dessa forma, uma pessoa não pode argumentar que a vacina que tomou não funcionou só porque contraiu a doença. Assim, o argumento utilizado para judicializar casos como esse não possui sustentação.

*O material aqui verificado pelo Nujoc Checagem foi encaminhado à nossa equipe por meio do aplicativo Eu Fiscalizo, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que está disponível para Android e IOS.

Equipe NUJOC