Vacinas com tecnologia mRNA causam doenças autoimune e enfermeira morreu após tomar?

 Vacinas com tecnologia mRNA causam doenças autoimune e enfermeira morreu após tomar?

Circula nas redes sociais um vídeo com alegações ao abordar a tecnologia mRNA de algumas vacinas contra a COVID-19, como as vacinas da Pfizer e Moderna. O vídeo explica que a vacina induz a produção da proteína do vírus e, a partir disso, o nosso organismo começa a combater o próprio corpo. Seguindo a lógica, o imunizante seria responsável por desencadear doenças autoimunes semelhantes a AIDS. A mídia chegou para checagem até a equipe do NUJOC Checagem por meio do aplicativo Eu Fiscalizo (Disponível para Android e IOS).

Em vídeo, é questionada eficácia das vacinas que utilizam tecnologia de RNA mensageiro, além de associar com doenças autoimunes. Imagem: Reprodução

A informação veiculada é falsa. Segundo o Estadão Verifica, que entrou em contato com o presidente da Sociedade Brasileira de Virologia e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Flávio Fonseca, não há respaldo científico de que a vacina ocasione doenças autoimune. Inclusive, há fact checking publicado pela Associated Press sobre o assunto descartando a possibilidade. Confira aqui.

A Food and Drug Administration (FDA), que é equivalente a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) no Brasil, não encontrou preocupações específicas de segurança ou efeitos colaterais sérios antes de concluir que as vacinas Pfizer e Moderna poderiam ser usadas em caráter de emergência. Os efeitos colaterais mais comuns para ambas as vacinas foram dor no local da injeção, que é normal após tomar vacinas.

Vale frisar também que Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos disseram que pessoas com doenças autoimunes podem tomar as vacinas de mRNA.

Como funciona uma vacina de mRNA? Com informações da iniciativa da Fiocruz, COVID-19 Divulgação Científica, O ácido ribonucleico (RNA), assim como o ácido desoxirribonucleico (DNA), é uma molécula formada no núcleo das células. O DNA armazena a informação genética, enquanto o RNA mensageiro (ou mRNA) leva essa informação para o citoplasma, onde acontece a síntese de proteínas. Trocando em miúdos, o mRNA é a forma como a célula lê a “receita” contida no DNA e fabrica as proteínas de que o organismo necessita. “Podemos dizer que o RNA é uma molécula usada pelas células para ‘converter’ a sequência genética do DNA em uma proteína”, explica à iniciativa COVID-19 Divulgação Científica, a bioquímica Elena Cristina Caride, gerente do Programa de Vacinas Virais do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A ideia por trás de uma vacina de RNA é utilizar a maquinaria das células humanas para sintetizar uma proteína do vírus ou outro patógeno contra o qual se deseja induzir imunidade. “Essa proteína vai ser secretada pelas células e, então, estará exposta ao sistema imunológico, que vai detectar essa proteína e criar uma resposta imune contra ela”, conta a iniciativa COVID-19 Divulgação Científica, o imunologista Carlos Zárate-Bladés, do Laboratório de Imunorregulação da Universidade Federal de Santa Catarinab. “Os elementos gerados por essa resposta imune vão servir para proteger a pessoa quando de fato o patógeno entrar em seu corpo”.

Nesse sentido, sobre a vacina contra o SARS-Cov-2, o que os cientistas fizeram foi sintetizar uma sequência de RNA que codifica uma proteína da parte externa do vírus. Quando uma pessoa recebe esse RNA sintético, suas células começam a produzir a proteína em questão, que é reconhecida pelo sistema imunológico como uma molécula invasora. A resposta imune criada para combater essa molécula é como o treino que prepara o sistema imunológico para uma real infecção pelo coronavírus.

Enfermeira Tiffany Dover morreu depois de tomar vacina de mRNA? A resposta é não! De acordo com a Agência Lupa, Tiffany Dover, enfermeira que desmaiou após aplicação da vacina da Pfizer contra a Covid-19, está viva. O boato começou a circular nos Estados Unidos em dezembro de 2020. Logo após o ocorrido, o CHI Memorial, hospital onde ela trabalha, divulgou em seu perfil no Twitter uma nota esclarecendo que a profissional passava bem e estava em casa. A nota dizia, ainda, que a enfermeira estava grata com a preocupação da população, mas que pedia respeito à sua privacidade e à de sua família.

Tiffany Dover explicou durante uma coletiva de imprensa que costuma desmaiar quando sente dor. De acordo com a enfermeira, esse é um quadro clínico que ela já apresentava anteriormente e que não tem relação com a vacina da Pfizer contra a Covid-19. “Tenho histórico de hipersensibilidade com qualquer dor que sinto. Pode ser algo na unha ou no dedo do pé que posso vir a desmaiar. (…) Mas eu me sinto bem agora e a dor no meu braço foi bem pequena, na verdade”, destacou.

Equipe NUJOC