Brasil registra alto índice de óbitos de vacinados contra a COVID-19?

 Brasil registra alto índice de óbitos de vacinados contra a COVID-19?

O NUJOC recebeu para verificação duas publicações que tratam de mortes de pessoas por COVID-19 após completar o esquema vacinal. No primeiro caso, tem-se um post da página no instagram @o_desesquerdizador “SUS registrou mais de 18 mil óbitos de vacinados por problemas respiratórios após a vacinação” aponta a imagem da publicação. Enquanto isso, a segunda matéria em checagem também se insere na mesma temática. O texto do site Poder 360º afirma que “17.512 morreram de covid depois de tomar 2ª dose da vacina no Brasil”. Vale ressaltar que o material foi encaminhado para a nossa equipe por meio do aplicativo Eu Fiscalizo da Fiocruz (Disponível para Android e IOS).

Post na página O Desesquerdizador com afirmações de mortes após pessoas receberem as duas doses ou dose única da vacina contra a COVID-19. Imagem: Reprodução

Em relação ao post da página O Desesquerdizador, a informação é falsa, uma vez que não aponta a fonte do número de óbitos e é explícito a intenção em apenas descredibilizar a produção de vacinas e, consequentemente, os resultados positivos. No próprio post a página sugere trocar o nome “imunizante” por “tentativa”.

É notável a forma como o avanço da vacinação tem reduzido robustamente o número de internações e óbitos. Com informações da Agência Brasil, o Brasil registrou em 13 de outubro menor média móvel de vítimas da doença desde abril de 2020. O patamar é resultado de uma queda contínua registrada desde o fim do primeiro semestre deste ano. Em 1º de julho, a média móvel era de mais de 1,5 mil mortes por dia, indicador que chegou ontem a 316 por dia, segundo dados do painel Monitora Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).  No pior dia da pandemia, em 12 de abril de 2021, o indicador chegou a 3.123 vítimas diárias.

O epidemiologista e pesquisador em saúde pública da Fiocruz Raphael Guimarães destaca à Agência Brasil que o progresso da cobertura vacinal é o principal motivo pela tendência consistente de queda nas internações e óbitos observados no segundo semestre deste ano, mas alerta que a circulação de pessoas nas ruas já retornou ao nível pré-pandemia.

“Analisando os números de forma mais fria, diria que é um bom momento, talvez um dos melhores que a gente já atravessou”, disse, ressaltando, porém, que o alívio não prejudique as medidas de prevenção, como usar máscara, evitar aglomerações, higienizar as mãos e se vacinar.

Quanto a matéria do Poder 360º, o site aponta a fonte para a consulta de informação. A análise inclui registros de mortes no banco de dados do SUS. Só foram considerados totalmente imunizados aqueles que haviam recebido a 2ª dose pelo menos 14 dias antes de apresentarem os primeiros sintomas da doença.

De acordo com a reportagem o número de mortes resulta em 98% em idosos, reflexo que as vacinas não são 100% eficazes, sendo necessário manter medidas de distanciamento social e uso de máscaras.

Segundo a Isto é, o fato de existirem óbitos em pessoas vacinadas não significa que os imunizantes não são eficazes. Quadros clínicos pré-existentes, como diabetes e problemas pulmonares, podem agravar uma infecção de covid-19, mesmo com a imunização.

A Deutsche Welle, empresa pública de radiodifusão da Alemanha, pesquisou sobre os casos de óbitos após a vacinação em diversos países europeus e concluiu que suas autoridades sanitárias não encontraram ligações causais diretas entre a vacinação e a morte. Na Alemanha, 10 idosos entre 79 e 93 anos que faleceram nessas condições apresentavam doenças pré-existentes – chamadas de “mortes acidentais”, tendo em vista que as causas de óbito não estão ligadas à imunização. Situações semelhantes foram identificadas também na Espanha, Estados Unidos, Noruega, Bélgica e Peru.

Equipe NUJOC